|
Petra (do grego "petrus", pedra; árabe:
البتراء, al-Bitrā) é um importante enclave
arqueológico na Jordânia, situado na bacia
entre as montanhas que formam o flanco leste
de Wadi Araba, o grande vale que vai do Mar
Morto ao Golfo de Aqaba. Em 7 de Julho de
2007 foi considerada, numa cerimónia
realizada em Lisboa (Portugal), uma das
Novas sete maravilhas do mundo.
História
Antecedentes
A região onde se encontra Petra foi ocupada
por volta do ano 1200 a.C. pela tribo dos
Edomitas, recebendo o nome de Edom. A região
sofreu numerosas incursões por parte das
tribos israelitas, mas permaneceu sob
domínio edomita até à anexação pelo império
persa. Importante rota comercial entre a
Península Arábica e Damasco (Síria) durante
o século VI a.C., Edom foi colonizada pelos
Nabateus (uma das tribos árabes), o que
forçou os Edomitas a mudarem-se para o sul
da Palestina.
Fundação
O ano 312 a.C. é apontado como data do
estabelecimento dos Nabateus no enclave de
Petra e da nomeação desta como sua capital.
Durante o período de influência helenística
dos Selêucidas e dos Ptolomaicos, Petra e a
região envolvente floresceram material e
culturalmente, graças ao aumento das trocas
comerciais pela fundação de novas cidades:
Rabbath 'Ammon (a moderna Amã) e Gerasa (actualmete
Jerash).
Devido aos conflitos entre Selêucidas e
Ptolomaicos, os Nabateus ganharam o controlo
das rotas de comércio entre a Arábia e a
Síria. Sob domínio nabateu, Petra
converteu-se no eixo do comércio de
especiarias, servindo de ponto de encontro
entre as caravanas provenientes de Aqaba e
as de cidades de Damasco e Palmira.
O estilo arquitectónico dos Nabateus, de
influência greco-romana e oriental, revela a
sua natureza activa e cosmopolita. Este povo
acreditava que Petra se encontrava sob a
protecção do deus dhû Sharâ (Dusares, em
grego).
Época Romana
Entre os anos 64 e 63 a.C., os territórios
nabateus foram conquistados pelo general
Pompeu e anexados ao Império Romano, na sua
campanha para reconquistar as cidades
tomadas pelos Hebreus. Contudo, após a
vitória, Roma concedeu relativa autonomia a
Petra e aos Nabateus, sendo as suas únicas
obrigações o pagamento de impostos e a
defesa das fronteiras das tribos do deserto.
No entanto, em 106 d.C., Trajano
retirou-lhes este estatuto, convertendo
Petra e Nabateia em províncias sob o
controlo directo de Roma (Arábia Petrae).
Adriano, seu sucessor, rebaptizou-a de
Hadriana Petrae, em honra de si próprio.

Petra
Época Bizantina
Em 313 d.C., o Cristianismo converteu-se na
religião oficial do Império Romano, o que
teve as suas repercussões na região de Petra.
Em 395, Constantino fundou o Império
Bizantino, com capital em Constatinopla (actual
Istambul).
Petra continuou a prosperar sob o seu
domínio até 363, ano em que um terramoto
destruiu quase metade da cidade. Contudo a
cidade não morreu: após este acontecimento
muitos dos edifícios "antigos" foram
derrubados e reutilizados para a construção
de novos, em particular igrejas e edifícios
públicos.
Em 551, um segundo terramoto (mais grave que
o anterior) destruiu a cidade quase por
completo. Petra não se conseguiu recuperar
desta catástrofe, pois a mudança nas rotas
comerciais diminuíram o interesse neste
enclave.
Redescoberta de Petra
As ruínas de Petra foram objecto de
curiosidade a partir da Idade Média,
atraíndo visitantes como o sultão Baybars do
Egipto, no princípio do século XIII. O
primeiro europeu a descobrir as ruínas de
Petra foi Johann Ludwig Burckhardt (1812),
tendo o primeiro estudo arqueológico
científico sido empreendido por Ernst
Brünnow e Alfred von Domaszewski, publicado
na sua obra Die Provincia Arabia (1904).
Petra nos dias de hoje
A 6 de Dezembro de 1985, Petra foi
reconhecida como Património da Humanidade
pela UNESCO.
Em 2004, o governo jordano estabeleceu um
contrato com uma empresa inglesa para
construir uma auto-estrada que levasse a
Petra tanto estudiosos como turistas.
A 7 de Julho de 2007, foi eleita em Lisboa,
no Estádio da Luz uma das Novas sete
maravilhas do mundo.
Curiosidades
• O edifício da Câmara do Tesouro, em Petra,
foi utilizado como cenário no filme Indiana
Jones e a Grande Cruzada. O interior
mostrado no filme não corresponde, no
entanto, ao interior do dito edifício, tendo
sido fabricado em estúdio.
• Petra é famosa principalmente pelos seus
monumentos escavados na rocha, que
apresentam fachadas de tipo helenístico
(como o célebre El Khazneh).
• Peritos no domínio da hidráulica, os
Nabateus dotaram a cidade de um enorme
sistema de túneis e de câmaras de água. Um
teatro, construído à imagem dos modelos
greco-romanos, dispunha de capacidade para
4000 espectadores.
• Tintim, herói da banda desenhada belga,
visita Petra no álbum Perdidos no Mar (ou
Carvão no Porão). |