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Nota: Se procura por
outras definições de Egipto ou Egito,
consulte Egipto (desambiguação).
جمهورية مصر العربية
Gumhūriyyat Miṣr al-ʿArabiyyah
República Árabe do Egito
O
Egipto (português europeu) ou Egito
(português brasileiro) (AO 1990: Egito) (em
egípcio Kemet; em copta Ⲭⲏⲙⲓ, transl. Kīmi;
em árabe مصر, transl. Miṣr, pronunciado
Máṣr pelos egípcios; nome oficial: República
Árabe do Egipto) é um país do norte da
África que inclui também a península do
Sinai, na Ásia, o que o torna um Estado
transcontinental.
Com uma área de cerca de 1 001 450 km², o
Egipto limita a oeste com a Líbia, ao sul
com o Sudão e a leste com a Faixa de Gaza e
Israel. O litoral norte é banhado pelo mar
Mediterrâneo e o litoral oriental pelo mar
Vermelho. A península do Sinai é banhada
pelos golfos de Suez e de Acaba. A sua
capital é a cidade do Cairo.
O Egipto é um dos países mais populosos de
África. A grande maioria da população,
estimada em 80 milhões de habitantes (2007),
vive nas margens do rio Nilo, a única área
cultivável do país, com cerca de 40 000 kmª.
As regiões mais amplas do deserto do Saara
são pouco habitadas. Cerca de metade da
população egípcia vive nos centros urbanos,
em especial no Cairo, em Alexandria e nas
outras grandes cidades do Delta do Nilo, de
maior densidade demográfica.
O país é conhecido pela sua antiga
civilização e por alguns dos monumentos mais
famosos do mundo, como as pirâmides de Gizé
e a Grande Esfinge. Ao sul, a cidade de
Luxor abriga diversos sítios antigos, como o
templo de Karnak e o vale dos Reis. O Egipto
é reconhecido como um país política e
culturalmente importante do Médio Oriente e
do Norte de África.
Os gentílicos para o país são "egípcio", "egipciano"
e "egipcíaco"[2], sendo que o primeiro é
quase exclusivamente usado.
Etimologia
Ver também: Os nomes do Egipto
Um dos antigos nomes egípcios para o país,
Kemet (kṃt), ou "terra negra" (de kem,
"negro"), advém do solo fértil negro
depositado pelas cheias do Nilo, distinto da
"terra vermelha" (dechret, dšṛt) do deserto.
O nome passou às formas kīmi e kīmə na fase
copta da língua egípcia e aparece no grego
primitivo como Χημία (Khēmía). Outro nome
era t3-mry ("terra da ribeira"). Os nomes do
Alto e do Baixo Egipto eram Ta-Sheme'aw
(t3-šmˁw), "terra da junça", e Ta-Mehew (t3
mḥw) "terra do norte", respectivamente.
Miṣr, o nome árabe moderno e oficial para o
país (na pronúncia egípcia, Maṣr), é de
origem semita, directamente relacionado com
outros termos semíticos para o Egipto, como
o hebraico מִצְרַיִם (Mizraim), literalmente
"os dois estreitos" (referência ao Alto e
Baixo Egiptos).[3] A palavra possuía
originalmente a conotação de "metrópole" ou
"civilização" e também significa "país" ou
"terra de fronteira".
O termo português "Egipto" foi recebido do
grego antigo Αίγυπτος (Aígyptos), por meio
do latim Aegyptus, e já era registado no
vernáculo no século XIII.[4] A forma grega,
por sua vez, advém do egípcio Ha-K-Phtah,
"morada de Ptá", denominação de Mênfis,
capital do Antigo Império.[5]
História
Ver artigos principais: História do Antigo
Egipto, História do Egipto.
Os vestígios de ocupação humana no vale do
Nilo desde o Paleolítico assumem a forma de
artefactos e petróglifos em formações
rochosas ao longo do rio e nos oásis. No
décimo milénio a.C., uma cultura de
caçadores-recolectores e de pescadores
substituiu outra, de moagem de grãos. Em
torno de 8000 a.C., mudanças climáticas ou o
abuso de pastagens começou a ressequir as
terras pastoris do Egipto, de modo a formar
o Saara. Povos tribais migraram para o Vale
do Nilo, onde desenvolveram uma economia
agrícola sedentária e uma sociedade mais
centralizada.[6]
Por volta de 6000 a.C., a agricultura
organizada e a construção de grandes
edifícios havia surgido no Vale do Nilo.
Durante o Neolítico, diversas culturas
pré-dinásticas desenvolveram-se de maneira
independente no Alto e no Baixo Egiptos. A
cultura badariense e a sua sucessora, a
nagadiense, são consideradas as precursoras
da civilização egípcia dinástica. O sítio
mais antigo conhecido no Baixo Egipto,
Merimda, antecede os badarienses em cerca de
700 anos. As comunidades do Baixo e do Alto
Egiptos coexistiram por mais de dois mil
anos, mantendo-se como culturas separadas,
mas com contactos comerciais frequentes. Os
primeiros exemplos de inscrições
hieroglíficas egípcias apareceram no período
pré-dinástico, em artefactos de cerâmica de
Nagada III datados de cerca de 3200 a.C.[7]
Em cerca de 3150 a.C., o Rei Mena fundou um
reino unificado e estabeleceu a primeira de
uma sequência de dinastias que governaria o
Egipto pelos três milénios seguintes.
Posteriormente, os egípcios passaram a
referir-se a seu país unificado com o termo
tawy, "duas terras" e, em seguida, kemet (kīmi,
em copta), "terra negra". A cultura egípcia
floresceu durante este longo período e
manteve traços distintos na religião, arte,
língua e costumes. Às duas primeiras
dinastias do Egipto unificado seguiriam-se o
período do Império Antigo (c. 2700-2200
a.C.), famoso pelas pirâmides, em especial a
pirâmide de Djoser (III Dinastia) e as
pirâmides de Gizé (IV Dinastia).
A Grande Esfinge e as pirâmides de Gizé,
erguidas durante o Império Antigo, são hoje
ícones nacionais no centro da indústria
egípcia do turismo.
O Primeiro Período Intermédio foi uma época
de distúrbios que durou cerca de 150 anos.
Mas as cheias mais vigorosas do Nilo e a
estabilização do governo trouxeram
prosperidade ao país no Império Médio (c.
2040 a.C.), que atingiu o zénite durante o
reinado do Faraó Amenemhat III. Um segundo
período de desunião prenunciou a chegada da
primeira dinastia estrangeira a governar o
Egipto, a dos hicsos semitas. Estes
invasores tomaram grande parte do Baixo
Egipto por volta de 1650 a.C. e fundaram uma
nova capital, em Aváris. Foram expulsos por
uma força do Alto Egipto chefiada por Amósis
I, quem fundou a XVIII Dinastia e transferiu
a capital de Mênfis para Tebas.
O Império Novo (c. 1550-1070 a.C.) teve
início com a XVIII Dinastia e marcou a
ascensão do Egipto como potência
internacional que, no seu auge, se expandiu
para o sul até Jebel Barkal, na Núbia, e
incluía partes do Levante, no leste. Alguns
dos faraós mais conhecidos pertencem a este
período, como Hatchepsut, Tutmés III,
Akhenaton e sua mulher Nefertiti,
Tutankhamon e Ramsés II. A primeira
expressão do monoteísmo é desta época, com o
atonismo. O país foi posteriormente invadido
por líbios, núbios e assírios, mas terminou
por expulsá-los a todos.
Construída pela primeira vez no século III
ou IV, a Igreja Suspensa é a mais famosa
igreja ortodoxa copta do Cairo.
A XXX Dinastia foi a última de origem nativa
a governar o país durante a era dos faraós.
O último faraó nativo, Nectanebo II, foi
derrotado pelos persas em 343 a.C.
Posteriormente, o Egipto foi conquistado
pelos gregos e, em seguida, pelos romanos,
num total de mais de dois mil anos de
controlo estrangeiro.
O cristianismo foi trazido ao Egipto por São
Marcos no primeiro século da era cristã. O
reinado de Diocleciano marcou a transição
entre os Impérios Romano e Bizantino no
país, quando um grande número de cristãos
foi perseguido. Naquela altura, o Novo
Testamento foi traduzido para a língua
egípcia. Após o Concílio de Calcedónia, em
451, uma Igreja Copta Egípcia foi firmemente
estabelecida.[8]
Os bizantinos recuperaram o controlo do país
após uma breve invasão persa no início do
século VII, mantendo-o até 639, quando o
Egipto foi tomado pelos árabes muçulmanos
sunitas. Os egípcios começaram então a
misturar a sua nova fé com crenças e
práticas locais que sobreviveram através do
cristianismo copta, o que deu origem a
diversas ordens sufistas que existem até
hoje.[9] Os governantes muçulmanos eram
nomeados pelo Califado islâmico e mantiveram
o controlo do país pelos seis séculos
seguintes, inclusive durante o período em
que o Egipto foi a sede do Califado fatímida.
Com o fim da dinastia aiúbida, a casta
militar turco-circassiana dos mamelucos
tomou o poder em 1250 e continuou a governar
até mesmo após a conquista do Egipto pelos
turcos otomanos em 1517.
A breve invasão francesa do Egipto em 1798,
chefiada por Napoleão Bonaparte, resultou
num grande impacto no país e em sua cultura.
Os egípcios foram expostos aos princípios da
Revolução Francesa e tiveram a oportunidade
de exercitar o auto-governo.[10] À retirada
francesa seguiu-se uma série de guerras
civis entre os turcos otomanos, os mamelucos
e mercenários albaneses, até que Mehmet Ali,
de origem albanesa, tomou o controlo do país
e foi nomeado vice-rei do Egipto pelos
otomanos em 1805. Ali promoveu uma campanha
de obras públicas modernizadoras, como
projectos de irrigação e reformas agrícolas,
bem como uma maior industrialização do país,
tarefa continuada e ampliada por seu neto e
sucessor, Ismail Paxá.
A Assembléia dos Delegados foi fundada em
1866 com funções consultivas e veio a
influenciar de maneira importante as
decisões do governo.[11] A abertura do canal
de Suez pelo Quediva Ismail, em 1869, tornou
o Egipto um centro mundial de transporte e
comércio, mas fez com que o país contraísse
uma pesada dívida junto às potências
europeias. Como resultado, o Reino Unido
tomou o controlo do governo egípcio em 1882
para proteger os seus interesses
financeiros, em especial os relativos ao
canal.
Logo após intervir no país, o Reino Unido
enviou tropas para Alexandria e para a zona
do canal, aproveitando-se da fraqueza das
forças armadas egípcias. Com a derrota do
exército egípcio na batalha de Tel el-Kebir,
as tropas britânicas alcançaram o Cairo,
eliminaram o governo nacionalista e
dissolveram as forças armadas do país.
Tecnicamente, o Egipto permaneceu como uma
província otomana até 1914, quando o Reino
Unido derrubou Abaz II, último quediva
egípcio, e formalmente declarou o Egipto um
protetorado seu. Hussein Kamil, tio de Abaz,
foi então nomeado sultão do Egipto.[12]
Entre 1882 e 1906, surgiu um movimento
nacionalista que propunha a independência. O
Incidente de Dinshaway (em que soldados
britânicos abriram fogo contra um grupo de
egípcios) levou a oposição egípcia a adoptar
uma posição mais forte contra a ocupação do
país pelo Reino Unido. Fundaram-se os
primeiros partidos políticos locais. Após a
Primeira Guerra Mundial, Saad Zaghlul e o
Partido Wafd chefiaram o movimento
nacionalista egípcio, ganhando a maioria da
assembleia legislativa local. Quando os
britânicos exilaram Zaghlul e seus
correligionários para Malta em 8 de Março de
1919, o país levantou-se na primeira revolta
de sua história moderna. As constantes
rebeliões por todo o país levaram o Reino
Unido a proclamar, unilateralmente, a
independência do Egipto, em 22 de Fevereiro
de 1922.[13]
O novo governo egípcio promulgou uma
constituição em 1923, com base num sistema
parlamentarista representativo. Saad Zaghlul
foi eleito para o cargo de primeiro-ministro
pelo voto popular, em 1924. Em 1936, foi
assinado o tratado anglo-egípcio, pelo qual
o Reino Unido se comprometia a defender o
Egipto e recebia o direito de manter tropas
no canal de Suez. A continuidade da
ingerência britânica no país e o aumento do
envolvimento do rei do Egipto na política
levaram à queda da monarquia e à dissolução
do parlamento, por meio de um golpe militar
conhecido como a Revolução de 1952. Este
"Movimento dos Oficiais Livres" forçou o Rei
Faruk a abdicar em favor do seu filho Fuad.
A República do Egipto foi proclamada em 18
de Junho de 1953, presidida pelo General
Muhammad Naguib. Em 1954, Gamal Abdel Nasser
– o verdadeiro arquitecto do movimento de
1952 – forçou Naguib a renunciar,
colocando-o em prisão domiciliária. Nasser
assumiu a presidência e declarou a total
independência do Egipto com relação ao Reino
Unido, em 18 de Junho de 1956, com a
conclusão da retirada das tropas britânicas.
Em 26 de Julho daquele ano, nacionalizou o
canal de Suez, deflagrando a chamada Crise
do Suez.
Nasser faleceu em 1970, três anos após a
Guerra dos Seis Dias, na qual Israel invadiu
e ocupou a peninsula do Sinai. Sucedeu-o
Anwar Sadat, que afastou o país da União
Soviética e aproximou-se dos Estados Unidos,
expulsando os conselheiros soviéticos em
1972. Promoveu uma reforma económica chamada
"Infitá" e suprimiu de maneira violenta
tanto a oposição política quanto a
religiosa.
Em 1973, o Egipto, juntamente com a Síria,
deflagrou a Guerra de Outubro (ou do Yom
Kippur), um ataque-surpresa contra as forças
israelitas que ocupavam a península do Sinai
e as colinas de Golã. Os EUA e a URSS
intervieram e chegou-se a um cessar-fogo.
Embora não tenha resultado num sucesso
militar, a maioria dos historiadores
concorda que o conflito representou uma
vitória política que lhe permitiu
posteriormente recuperar o Sinai em troca da
paz com Israel.
A histórica visita de Sadat a Israel, em
1977, levou ao tratado de paz de 1979, que
estipulava a retirada israelita completa do
Sinai. A iniciativa de Sadat causou enorme
controvérsia no mundo árabe e provocou a
expulsão do Egipto da Liga Árabe, embora
fosse apoiada pela grande maioria dos
egípcios.[14] Um soldado fundamentalista
islâmico assassinou Sadat no Cairo, em 1981.
Sucedeu-o Hosni Mubarak. Em 2003, foi
lançado o "Movimento Egípcio pela Mudança",
que busca o retorno à democracia e a
ampliação das liberdades civis.
Política
Ver artigo principal: Política do Egipto
O Egipto é uma república desde 18 de Junho
de 1953. Mohamed Hosni Mubarak assumiu a
presidência do país em 14 de Outubro de
1981, após o assassinato de Anwar Sadat, e,
em 2008, estava no seu quinto mandato.
Mubarak é o chefe do Partido Democrático
Nacional, no poder.
Embora o país seja formalmente uma república
semipresidencialista multipartidária, na
qual o poder executivo é compartilhado entre
o presidente e o primeiro-ministro, na
prática o presidente controla o governo e
tem sido eleito em pleitos com candidato
único há mais de cinquenta anos. A última
eleição presidencial ocorreu em Setembro de
2005.
Em Fevereiro de 2005, Mubarak anunciou uma
reforma na lei eleitoral, de modo a permitir
uma eleição presidencial multipartidária.
Entretanto, a nova lei instituiu restrições
draconianas para as candidaturas a
presidente, impedindo que políticos
conhecidos se candidatassem e permitindo a
reeleição de Mubarak em Setembro daquele
ano.[15] O pleito foi criticado por alegadas
acusações de interferência governamental,
fraude e violência policial contra
manifestantes da oposição.[16] Como
resultado, muitos egípcios parecem cépticos
quanto ao processo de redemocratização, já
que menos de 25% dos 32 milhões de eleitores
compareceram às urnas em 2005.
Em 19 de Março de 2007, o parlamento aprovou
34 emendas constitucionais que proíbem os
partidos de usar a religião como base para
actividades políticas, autorizam o
presidente a dissolver o parlamento e
impedem a supervisão judicial das
eleições.[17]
O poder legislativo é exercido pela
Assembleia Popular, um parlamento unicameral
composto por 454 membros. Destes, 444 são
eleitos por voto popular para um mandato de
cinco anos; os restantes 10 são nomeados
pelo presidente da República. Entre as
funções da Assembleia Popular estão aprovar
o orçamento, fixar os impostos e aprovar os
programas de governo. Para além da
Assembleia, existe um Conselho Consultivo
composto por 264 membros, 176 dos quais são
eleitos através de voto popular e 88
nomeados pelo presidente.
Diversas organizações locais e
internacionais de direitos humanos, como a
Amnistia Internacional e a Human Rights
Watch, criticam o histórico egípcio
referente aos direitos humanos. As violações
mais sérias incluem tortura, detenções
arbitrárias e julgamentos perante tribunais
militares e de segurança do Estado.[18]
Também há críticas relativas ao estatuto da
mulher e das minorias religiosas.
Política externa
O Egipto exerce uma grande influência
política na África e no Médio Oriente[carece
de fontes?] e as suas instituições
intelectuais e islâmicas estão no centro do
desenvolvimento social e cultural da região.
A sede da Liga Árabe encontra-se no Cairo;
tradicionalmente, o secretário-geral da
organização é egípcio.
O Egipto foi o primeiro país árabe a
estabelecer relações diplomáticas com Israel
depois da assinatura dos acordos de Camp
David, em 1979.
O ex-vice-primeiro-ministro Boutros
Boutros-Ghali foi secretário-geral das
Nações Unidas entre 1991 e 1996.
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